quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

20º Capitulo - "Aceleramos os dois em alta velocidade em direcção ao local onde todas as decisões iriam ser tomadas."

(David)
Custou-me muito sair daquele quarto e deixa-la ali sozinha mas ela tinha de
aprender. Ela tinha de querer viver e para isso tinha ver o que ia perder. Eu senti que ela ainda sentia algo por mim, o meu problema foi não conseguir saber exactamente o que era.

- Manz, cê tá bem?

- Achas que tou bem? A minha melhor amiga está-se a matar ao poucos e eu estou bem. Claro, é mesmo possível.

- eu sei disso meu irmão, mas também sei que ela vai se aperceber do que está a fazer.

- Isso eu também sei David, o problema é que pode ser tarde de mais.
Nisto o meu celular toca.

- Diz Fábio.

- Estás com o Rúben.

- Sim.

- Vocês já viram as horas?

- Não, a gente teve com uns problemas e esquecemos as horas. Mas porque? A gente combinou algo com você?

- Comigo não, mas com o mister sim.

- Com o mister? O quê?

- O Treino seu anormal. Para ti é só correr atrás de uma bola mas para nós não, é muito mais.

- A gente se esqueceu.

- Pois, o mister é que não está assim muito contente com esses esquecimento.

- Estás a falar com eles? – Ouvi do outro lado da linha. Era o mister. Agora é que o caldo estava entornado.

- Não… Sim… Mais ou menos mister. – A atrapalhação do Fábio era notória, ele não sabia que responder.

- Dá-me isso. – Aí, agora vai doer.

- David? Rúben? Qual de vocês é?

- Estamos aqui os dois, mas sou eu que tou falando mister.

- Tem exactamente 5 minutos para estarem aqui. ENTENDIDO?

- Sim chefe, quer dizer, mister.

Não respondeu, apenas me desligou a chamada.

Eu não precisei de dizer nada ao Rúben porque o celular estava em alta voz e ele
ouviu tudo.

Fomos os dois no carro do Rúben. O meu ficou lá no hospital, sim, dissemos aquilo á Bia mas a gente combinou que quando ela tivesse a dormir ia-mos vê-la e falar melhor com o doutor.

O Rúben foi a acelerar todo o caminho e bem era preciso. Chegamos, ele estacionou e fomos correndo para dentro.

Nos banheiros já não tava ninguém, aí a gente percebeu que tava mesmo atrasado.

- Manz se despacha.

- Oh meu não tas a ver que tou a fazer por isso.

Estávamos prontos e fomos correndo para o relvado.

O Mister tava falando com eles no centro a gente foi até lá a correr. Quando o pessoal dá pela gente de começa a rir. A gente não percebe porque.

- Nunca viram seus babacas?

- Não. Um com os calções e a camisola ao contrário. Outro num pé com um chuteira e no outro com uma sapatilha. – Eu e o Rúben olhamos um para o outro e fomos a correr para o balneário. Tocamos e antes de regressar-mos fomos nos olhar ao espelho.

Quando chegamos já eles corriam. O Fábio, o Roberto, O Javi e o Roderick estavam a passar por nós nessa altura. Nós metemo-nos no meio deles para o mister não dar por nós.

- Entao meninas já estão bonitas? – Estava a perder a paciência com o Roderick. Mas decidi não responder, pra não criar confusão. Mas ele continuou. – Não falas David? Estás demasiado desgostoso por a Bia te ter trocado? – Tinha atingido o meu limite, que era bastante grande.

- O que é que cê quer? – Disse virando-me para trás obrigando-o a parar.

- Quero a Bia e tu não a deixas em paz.

- A Bia não gosta de você.

- Não? Eu não tinha tanta certeza disso.

- Pois, mas eu tenho a certeza.

- Aí sim? E como?

- Não interessa. – Não lhe ia contar do beijo, nem pensar. – E você como sabe que
ela goste de você?

- Porque ela me disse, porque ela disse que tu foste uma grande desilusão e porque
nos beijamos já mais que uma vez e ela não negou.

- Não acredito.

- Não me importo que não acredites, o que interessa é que hoje a vou pedir em namoro e tenho a certeza que ela vai aceitar.

- Isso vai ser difícil. – Desta vez respondeu o Ruben.

- Aí sim? E porque?

- Porque a Bia está internada no hospital. – O Roderick olhou para mim, eu olhei para ele e desatamos a correr. Eu sabia que ele ia ao hospital. Mas não o ia deixar ir sozinho.

- Manz? Vou levar o seu carro. Apanhe boleia depois sim?

Nem dei tempo de ele responder. Ainda ouvi o mister dizer algo mas nem liguei. Fui ao balneário, pequei na chave e fui pró carro para o Ruben. O Roderick foi para o dele. Aceleramos os dois em alta velocidade em direcção ao local onde todas as decisões iriam ser tomadas.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

19º Capitulo - "Eu não posso lutar por uma pessoa que não luta pela própria vida."

Se pudesses dizer alguma coisa ao Rúben Amorim o que dizia? Manda a tua resposta para o mail nii_23@hotmail.com até amanha a tarde.

Nao te esqueças que nesta fase ele precisa de todo o nosso apoio.

Posso Garantir-te que o Rúben irá ler todas as mensagens.

Nii'i

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- Porque me beijas-te?

- Eu? Cê queria tanto quanto eu.

- Não queria não.

- Cê não me engana não, eu bem vi como cê se entregou ao beijo. Sabe o que eu
percebi?

- O quê?

- Que você ainda gosta de mim. – Não, o David não podia saber que ainda não o tinha
esquecido.

- Estás muito enganado.

- Não tou não.

- Tás sim David. Eu já não gosto de ti.

- Sabe uma coisa? Cê pode continuar a insistir nisso mas eu sei muito bem o que se passou com este beijo. E quer saber outra coisa? Não vou desistir de você não. – E fez um daqueles sorrisos que só ele sabe fazer. Eu ia a responder, mas entretanto o Rúben entra no quarto.

- Bia? Como é que tu estás?

- Estou bem Rúben.

- O que é que o médico te disse?

- A mim nada. Acordei há bocado e ele ainda não veio aqui. – Dito isto entra o
médico no quarto.

- Bom dia menina Beatriz. Como se sente?

- Bem.

- Mas não está tudo bem consigo.

- Como assim doutor?

- A menina está com princípios de anemia. – Não, não podia ser. Outra vez não.
Passar por tudo. Eu não ia aguentar.

- Doutor, o que quer isso dizer? – Foi o Rúben que falou. Era notória a sua preocupação. Eu agradecia todos os dias por me ter cruzado com ele e por ter um melhor amigo assim.

- Bem, quer dizer que o sangue da menina Beatriz está muito fraco e pode passar a doenças bastante piores, como leucemia. – Isto não me podia estar a acontecer, não mesmo.
 
- Mas doutor, me diga, como isto foi acontecer? – Perguntou o David.

- Acho que a menina Beatriz é a melhor pessoa para responder a isso. Ela sabe o andou a fazer. – Nesse momento todos os olhares caíram em mim.

- Que foi?

- Fale Bia.

- Não é preciso David, eu sei muito bem o que ela andou a fazer. Eu disse-te hoje de manha e tu negas-te. Eu acreditei em ti.

- Oh Rúben não é nada disso.

- Como não Bia? Tu voltas-te ao mesmo. Admite caraças.

- EU NÃO VOLTEI AO MESMO PERCEBES-TE?

- Não, não percebi.

- Desculpem tar me metendo, mas quê que cês tão falando?

- Sabes David, aqui a Bia esteve internada ás uns tempos com anorexia e bulimia.

Esteve quase a morrer mas depois recuperou. Eu já suspeitava que ela tivesse voltado ao mesmo, mas ela negou. Como é a minha melhor amiga, acreditei nela. Pelos vistos mentiu-me. – Virando-se para mim disse. – Desiludiste-me muito Bia, não pesei que fosses capaz de me mentir. – E vai a sair do quarto.

- Onde vais?

- Vou embora. Já te disse, se queres morrer, morre sozinha. Eu não te vou ver a matares-te sem puder fazer nada .- E sai do quarto.

- Eu amanha passo aqui amanha para lhe dar alta. Continuação de boa noite.

- Obrigada. – E o médico saiu.

O David olhava para mim com uma cara … bem, nem sei explicar.

- Que foi? Nunca viste?

- Não, nunca vi uma garota estúpida que nem você. Tem pessoas que gostam de si aqui para a ajudar mas mesmo assim prefere ser burra e morrer. Tudo bem. Eu vou ter com o manz, neste momento ele precisa mais de mim. – E prepara-se para sair.

- David?

- Sim.

- E aquilo que disseste que não ias desistir de mim?

- Eu não posso lutar por uma pessoa que não luta pela própria vida. – E sai do quarto sem me olhar de novo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

18º Capitulo - "Mas a razão falou mais alto que o desejo e o beijo foi terminado."

Acordo e olho há minha volta. Estou num quarto de hospital.

Vejo-o ali sentado numa cadeira. Olhava-me com olhos de menino grande.

- Cê tá melhor?

- Estou. Que aconteceu?

- Cê desmaiou a sair de casa.

- O Rúben?

- Está no treino.

- Porque também não foste

- Porque não a ia deixar sozinha.

- David é o teu trabalho.

- Sim, e você é… - Calou-se.

- Sou?

- É minha amiga, e não se deve deixar os amigos na mão não.

- Ah. Pois.

Nem eu nem ele dissemos nada durante algum tempo, talvez, por falta de coragem ou medo do que se pudesse passar depois.

- David…

- Bia…

Dissemos ao mesmo tempo.

- Fale você.

- Não David fala tu.

- Posso fazer uma pergunta para você? – Dito isto levanta-se e vem na minha direcção. Para mesmo junto á cama.

- Claro.

- Que tá passando entre você e o Roderick? – Pronto e mais uma vez não sabia o que responder. Teria de dizer a verdade, mas alterando umas partes e omitindo outras.

- Nada. Somos amigos. Eu gosto muito dele e cada vez mais gosto de o conhecer.

- Mas você gosta dele só como amigo né?

- Sim…- O David sorriu. – Mas de uma grande amizade nasce um grande amor. – O seu sorriso desvaneceu.

- Então seu coração está disponível? – Ele ia aproximando a sua cara da minha. Eu assenti com a cabeça. – Totalmente disponível? – Cada vez se aproximava mais.

- Sim. – Eu já sentia a respiração dele e muito provavelmente ele também sentia a minha.

- Então se eu beijasse você neste momento não ia ter problema porque você está desimpedida, certo?

- Sim, mas também eu sei que não me vais beijar. – Eu tentava-me controlar e resistir.

- Porque cê tem tanta certeza disso? – As nossas caras continuavam a centímetros de distância.

- Porque fizes-te o mesmo no outro dia antes do treino e não me beijas-te.

- Este é para provar como você se engana. – Dito isto deu-me um beijo ao de leve. –
Este é pelo do outro dia. – E deu-me outro beijo, um pouco mais intenso que o primeiro mas mesmo assim leve. – E este é porque tou louco para beijar você. – Voltou a beijar-me, um beijo bastante diferente dos primeiros, um beijo não ao de leve mas profundo, um beijo em que ambas as línguas começam a dançar ao som de uma música ritmada e bastante batente, uma música que não tem fim e com a qual nunca nos cansamos de dançar. Os meus dedos entrelaçavam-se nos seus caracóis, ele tinha a mão em torno da minha cintura levantando-me ligeiramente da cama. Não queria parar, ele
também não. Mas a razão falou mais alto que o desejo e o beijo foi terminado.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

17º Capitulo - "A vida é tua, se queres voltar para uma cama de hospital volta, só tu mandas no teu corpo."

(Passados cerca de dois meses, ou seja, 22 de Novembro de 2010)

Estes últimos dois meses correram normalmente. Contei ao Ro toda a verdade, o Rúben deixou de me tentar juntar com o David, apesar de ás vezes ainda mandar umas indirectas, eu e o David só falávamos mesmo o necessário e lá na escola toda a gente sabia que o Rúben era o meu melhor amigo.

O conservatório não podia correr melhor, felizmente a Directora nunca mais me perguntou nada sobre o David.

Acordei ás 7h. Esperava-me mais um dia de aulas. A segunda-feira era o que mais
custava.

Tomei banho, vesti-me e dirigi-me para a cozinha.



- Bom dia Rúben.

- Bom dia.

- Já acordado?

- Sim.

- Porque?

- Tenho de ir buscar o carro á oficina.

- E vais a pé até lá?

- Não, vou com o David.

- Ah ok. Bem, eu vou indo.

- E não comes?

- Estou a comer, não vês?

- O que vejo é que estás só com uma maça.

- Que é o suficiente.

- Bia, senta-te. Vamos falar.

- Rúben, ainda tenho de apanhar o metro e ir.

- Eu e o David levamos-te, mas agora vamos falar.

- Aí Rúben, o que foi?

- Ainda perguntas?

- Claro. Não sei do que estás a falar.

- Bia, eu tenho reparado que tu não andas a comer nada. Ou chegas e dizes que já
comes-te, ou dizes que estás maldisposta, ou que não tens fome. E quando comes ou é cereais, ou fruta ou iogurtes magros. Eu estou mesmo preocupado contigo.

- Isso são manias da tua cabeça.

- Também são manias da minha cabeça que tu estives-te internada 1 semana no hospital com anorexia e bulimia? Também são manias da minha cabeça que tu ias parar frequentemente ao hospital com desmaios? Também é da minha cabeça que tens problemas de estômago por causa dessas merdas? Também é da minha cabeça que perdes-te 8 kg num mês, também é da minha cabeça que quase morres-te por essas merdas, também é da minha cabeça…

- Já chega Rúben, já percebi…- As lágrimas caiam-me, relembrar tudo aquilo ainda me custava muito. Relembrar as dores, os medos, as inseguranças, relembrar tudo por aquilo que passei. Sim, era verdade que andava a comer menos, mas eu tinha de perder mais 8kg por causa da dança, mas eu se quisesse voltar a comer comia, mas precisava de emagrecer. Mas o Rúben não podia nem imaginar que estava a fazer de propósito. Ele matava-me se soubesse.

- Bia, não faças outra vez isto a ti própria, tu és linda.

- Sim, linda e gorda.

- Pára, eu sabia que tu ainda não tinhas esquecido isso.

- Esqueci Rúben, custou mas isso pertence ao meu passado. – Não gostava de lhe mentir, mas neste momento era a minha única opção.

- A vida é tua, se queres voltar para uma cama de hospital volta, só tu mandas no teu corpo. Eu tentei, queres continuar cega? Continua. Vou-me vestir, o David deve estar a chegar. Até logo.

Não me deu tempo para responder e dirigiu-se para o quarto. Tinha de sair dali, não queria pensar em tudo outra vez. Peguei na mala e sai.

Ia a sair da porta do prédio quando começo a ver tudo desfocado, as forças falham-me. Sinto-me a cair até que alguém me segura. Os meus olhos apagam-se e fico só com a sua imagem como última recordação.

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Quem será que segurou Bia, o Roderick ou o David?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

16º Capitulo - "Se o meu destino passar pelo David..."

- Ro? O que estás aqui a fazer? – Disse levantando-me da cadeira e indo na sua direcção.

- Eu recebi uma mensagem do teu telemóvel a dizer para vir aqui ter.

- Mas eu não mandei nada.

- Queres ver a mensagem?

- Não, eu acredito em ti. – Se ele tinha recebido uma mensagem do meu telemóvel e se não fui eu a mandar. Só podia ter sido uma pessoa. – A que horas recebes-te?

- Por volta das 2h da manha. Mas tu na mensagem dizias para eu não responder, por isso não respondi. – A essa hora eu já estava a dormir. Eu mato o Rúben.

- Importas-te de esperar lá fora? Eu já vou ter contigo para falar-mos sim?

Ele não respondeu, apenas de virou e saiu. Eles iam-me ouvir os dois, sim, porque o Rúben de certeza que não fez isto sozinho.

Quando em viro eles estavam os dois com os olhos postos em mim. Eles não tinham ouvido a minha conversa, estávamos a uma distância considerável.

Depressa encurtei essa distância e quando cheguei á beira da mesa, pôs as minhas mãos em cima da mesa e disse:

- Falem.

- Falamos o quê Bia?

- Tu sabes muito bem do quê Rúben.

- Não, não sei.

- Olha, és o meu melhor amigo, nunca pensei que me fizesses uma coisa destas. Eu estou mesmo magoada Rúben. E não adianta negares. Sabes bem que descubro tudo e não sou burra.

- Bia, seu sei que errei. Mas tu estás a enganar-te a ti própria. Oh pá és a minha melhor amiga, custa-me ver-te assim.

- Rúben mete na tua cabeça que eu estou bem.

- Não, não estás. Finges que estás, mas não te esqueças que eu sou das pessoas que te conhece melhor. – Engoli em seco. Ele tinha razão. Ele conhecia-me melhor que ninguém.

- Alguém me pode explicar que tá passando aqui? Não tou entendendo nada.

- Oh David, não te faças de sínico que eu sei que estás feito com ele.

- Eu? Mas como posso tar feito com ele se eu nem sei do tão falando.

- Bia, o David não sabia de nada. Fui eu que fiz tudo.

- Podem-me explicar? Eu não sei do que? E você fez o quê?

- Oh David, podes estar calado? Não vês que estou a ter uma conversa séria com o Rúben? – Depois virei-me para o Rúben e continuei. – Olhem não me interessa saber de mais nada. Eu vou falar com o Ro. Não esperes por mim para jantar nem acordado. Vou chegar tarde.

Nem lhe dei tempo de responder, virei costas e sai da sala. Atravessei todo o restaurante. Á saída encontrei a D. Conceição.

- Já vai embora?

- Sim, aconteceu-me um imprevisto. Peço desculpa.

- Não tem mal. Quinta-feira começam as suas aulas. São as 17h. Não se atrase.

- Muito obrigada. Até quinta entao.

- Até quinta.

Ele continuou para dentro e eu sai. Olhei em volta e vi o Ro sentado num banco cabisbaixo. Tive medo, mas sabia que era o melhor que tinha a fazer. Dirigi-me para ele, aquele conversa iria custar, pois teria de lhe contar o que não contei há um mês atrás quando ele me perguntou o que se passava comigo e com o David. Parecia o destino. Qualquer que fosse o caminho que fizesse, qualquer que fosse a palavra que proferisse ou o pensamento que tomava conta de mim, tudo ia dar ao David. Sim, acredito no destino, mas também acredito que as pessoas o podem alterar. Se o meu destino passar pelo David, então eu vou altera-lo á minha maneira.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

15º Capitulo - "Têm muito bom gosto David, a sua namorada é muito bonita."

Levantei-me num impulso e agarrei-lhe o braço.

- Desculpa, eu fui uma parva. Tu e o Rúben só me queriam ajudar. Desculpa-me David. –
Ele virou-se

- Tudo bem.

E dirigiu-se de novo para a mesa. Eu fiz o mesmo.

Era incrível como aquele homem era sempre tão compreensível comigo depois de tudo o que eu lhe dizia e o que eu lhe fazia.

Mal acabamo-nos de sentar a porta abre-se. Entra uma senhora que eu nunca tinha visto. Quando fiz a entrevista para entrar para o conservatório não foi com ela que a fiz.

- Boa tarde. – Cumprimentou ela. Todos nos pusemos de pé e a cumprimentamos também.

- D. Conceição, esta é a Beatriz, mais conhecida por Bia.

- Muito prazer.

- O prazer é todo meu.

Ela sentou-se ao lado do Rúben em frente ao David.

- Têm muito bom gosto David, a sua namorada é muito bonita.

- Obrigada – Respondeu ele mas de maneira fria.

- Passa-se alguma coisa?

- Não. – Disse eu muito apressadamente.

- Muito bem. Falem-me um bocadinho sobre como se conheceram e essas coisas.

Aquela mulher não queria mais nada? Eu ia para o conservatório e não para uma
entrevista para uma revista cor-de-rosa.

Eu e o David lá contamos, ou melhor inventamos algumas partes, algumas eram verdade.

A parte até ele me pedir em namoro contamos a verdade, só, a partir da minha
resposta é que inventamos.

Quando acabamos de almoçar e antes da sobremesa, ela disse que ia ao WC, ficando só nós os três na sala. Mas saiu o Rúben falou logo.

- Mas vocês querem estragar tudo?

- Não tou entendendo meu irmão.

- Vocês não parecem namorados.

- Secalhar porque não somos mesmo. – Disse eu.

- Pois, cê é que escolheu assim.

- Eih ó David nem venhas com essa agora.

- Custa ouvir as verdades né? Pois fique sabendo que custa mais não ouvir nada.

- Tu vais-me a continuar a atirar essa merda á cara durante quanto tempo mais?

- Durante o tempo que eu quiser. Cê não tem nada a ver com isso.

- Aí isso é que tenho meu filho. – Aquilo tinha passado a ser uma discussão só minha
e do David. O Rúben mantinha-se apenas a olhar para nós.

- Olhem, parem, que eu acho que vem aí alguém. Deve ser a D. Conceição. Ela deve ter ouvido, dêem aí um beijo para ela pensar que foi apenas uma discussão e que já está tudo bem.

- Oh Rúben…

- Sem Rúben nem meio Rúben. O bem é para ti, e além disso se vocês já não gostam um do outro não há mal nenhum. E David, com respeito sim?

Ouvimos a porta a começar-se a abrir e o David chegou á minha beira e beijou-me.

Começou por ser um beijo calmo e suave. Mas depressa passou a ser intenso e cheio de saudade. Já não beijava o David desde que fui para o Porto, ou seja, desde Junho. Eu não queria termina-lo, por muito que me custasse admitir, eu gostava daqueles lábios, daquele beija, enfim, eu gostava de David. Mas não podia. Havia muitas coisas contra, mas a principal era o medo de ser magoada outra vez e a minha família. Eu não ia contra o que eles pensavam. Eles acham que os jogadores querem muitas mulheres e não querem nada com raparigas da minha idade.

Nenhum de nós tinha coragem de terminar aquele beijo, mas o Rúben começa a tossir cada vez mais alto. Então selamos aquele beijo com pequenos beijinhos, pois aquele poderia ser o nosso último beijo.

Quando afasto a minha cara da do David, não queria acreditar. O Ro estava na porta, com uma cara de surpreendido e com um ramo de rosas na mão a olhar para mim. E agora, como lhe iria explicar a situação? Por mais que lhe dissesse a verdade ele nãos e iria acreditar, pois a D. Conceição não estava na sala naquele momento, mas mais importante, o que estava ele a fazer ali?