segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

18º Capitulo - "Mas a razão falou mais alto que o desejo e o beijo foi terminado."

Acordo e olho há minha volta. Estou num quarto de hospital.

Vejo-o ali sentado numa cadeira. Olhava-me com olhos de menino grande.

- Cê tá melhor?

- Estou. Que aconteceu?

- Cê desmaiou a sair de casa.

- O Rúben?

- Está no treino.

- Porque também não foste

- Porque não a ia deixar sozinha.

- David é o teu trabalho.

- Sim, e você é… - Calou-se.

- Sou?

- É minha amiga, e não se deve deixar os amigos na mão não.

- Ah. Pois.

Nem eu nem ele dissemos nada durante algum tempo, talvez, por falta de coragem ou medo do que se pudesse passar depois.

- David…

- Bia…

Dissemos ao mesmo tempo.

- Fale você.

- Não David fala tu.

- Posso fazer uma pergunta para você? – Dito isto levanta-se e vem na minha direcção. Para mesmo junto á cama.

- Claro.

- Que tá passando entre você e o Roderick? – Pronto e mais uma vez não sabia o que responder. Teria de dizer a verdade, mas alterando umas partes e omitindo outras.

- Nada. Somos amigos. Eu gosto muito dele e cada vez mais gosto de o conhecer.

- Mas você gosta dele só como amigo né?

- Sim…- O David sorriu. – Mas de uma grande amizade nasce um grande amor. – O seu sorriso desvaneceu.

- Então seu coração está disponível? – Ele ia aproximando a sua cara da minha. Eu assenti com a cabeça. – Totalmente disponível? – Cada vez se aproximava mais.

- Sim. – Eu já sentia a respiração dele e muito provavelmente ele também sentia a minha.

- Então se eu beijasse você neste momento não ia ter problema porque você está desimpedida, certo?

- Sim, mas também eu sei que não me vais beijar. – Eu tentava-me controlar e resistir.

- Porque cê tem tanta certeza disso? – As nossas caras continuavam a centímetros de distância.

- Porque fizes-te o mesmo no outro dia antes do treino e não me beijas-te.

- Este é para provar como você se engana. – Dito isto deu-me um beijo ao de leve. –
Este é pelo do outro dia. – E deu-me outro beijo, um pouco mais intenso que o primeiro mas mesmo assim leve. – E este é porque tou louco para beijar você. – Voltou a beijar-me, um beijo bastante diferente dos primeiros, um beijo não ao de leve mas profundo, um beijo em que ambas as línguas começam a dançar ao som de uma música ritmada e bastante batente, uma música que não tem fim e com a qual nunca nos cansamos de dançar. Os meus dedos entrelaçavam-se nos seus caracóis, ele tinha a mão em torno da minha cintura levantando-me ligeiramente da cama. Não queria parar, ele
também não. Mas a razão falou mais alto que o desejo e o beijo foi terminado.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

17º Capitulo - "A vida é tua, se queres voltar para uma cama de hospital volta, só tu mandas no teu corpo."

(Passados cerca de dois meses, ou seja, 22 de Novembro de 2010)

Estes últimos dois meses correram normalmente. Contei ao Ro toda a verdade, o Rúben deixou de me tentar juntar com o David, apesar de ás vezes ainda mandar umas indirectas, eu e o David só falávamos mesmo o necessário e lá na escola toda a gente sabia que o Rúben era o meu melhor amigo.

O conservatório não podia correr melhor, felizmente a Directora nunca mais me perguntou nada sobre o David.

Acordei ás 7h. Esperava-me mais um dia de aulas. A segunda-feira era o que mais
custava.

Tomei banho, vesti-me e dirigi-me para a cozinha.



- Bom dia Rúben.

- Bom dia.

- Já acordado?

- Sim.

- Porque?

- Tenho de ir buscar o carro á oficina.

- E vais a pé até lá?

- Não, vou com o David.

- Ah ok. Bem, eu vou indo.

- E não comes?

- Estou a comer, não vês?

- O que vejo é que estás só com uma maça.

- Que é o suficiente.

- Bia, senta-te. Vamos falar.

- Rúben, ainda tenho de apanhar o metro e ir.

- Eu e o David levamos-te, mas agora vamos falar.

- Aí Rúben, o que foi?

- Ainda perguntas?

- Claro. Não sei do que estás a falar.

- Bia, eu tenho reparado que tu não andas a comer nada. Ou chegas e dizes que já
comes-te, ou dizes que estás maldisposta, ou que não tens fome. E quando comes ou é cereais, ou fruta ou iogurtes magros. Eu estou mesmo preocupado contigo.

- Isso são manias da tua cabeça.

- Também são manias da minha cabeça que tu estives-te internada 1 semana no hospital com anorexia e bulimia? Também são manias da minha cabeça que tu ias parar frequentemente ao hospital com desmaios? Também é da minha cabeça que tens problemas de estômago por causa dessas merdas? Também é da minha cabeça que perdes-te 8 kg num mês, também é da minha cabeça que quase morres-te por essas merdas, também é da minha cabeça…

- Já chega Rúben, já percebi…- As lágrimas caiam-me, relembrar tudo aquilo ainda me custava muito. Relembrar as dores, os medos, as inseguranças, relembrar tudo por aquilo que passei. Sim, era verdade que andava a comer menos, mas eu tinha de perder mais 8kg por causa da dança, mas eu se quisesse voltar a comer comia, mas precisava de emagrecer. Mas o Rúben não podia nem imaginar que estava a fazer de propósito. Ele matava-me se soubesse.

- Bia, não faças outra vez isto a ti própria, tu és linda.

- Sim, linda e gorda.

- Pára, eu sabia que tu ainda não tinhas esquecido isso.

- Esqueci Rúben, custou mas isso pertence ao meu passado. – Não gostava de lhe mentir, mas neste momento era a minha única opção.

- A vida é tua, se queres voltar para uma cama de hospital volta, só tu mandas no teu corpo. Eu tentei, queres continuar cega? Continua. Vou-me vestir, o David deve estar a chegar. Até logo.

Não me deu tempo para responder e dirigiu-se para o quarto. Tinha de sair dali, não queria pensar em tudo outra vez. Peguei na mala e sai.

Ia a sair da porta do prédio quando começo a ver tudo desfocado, as forças falham-me. Sinto-me a cair até que alguém me segura. Os meus olhos apagam-se e fico só com a sua imagem como última recordação.

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Quem será que segurou Bia, o Roderick ou o David?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

16º Capitulo - "Se o meu destino passar pelo David..."

- Ro? O que estás aqui a fazer? – Disse levantando-me da cadeira e indo na sua direcção.

- Eu recebi uma mensagem do teu telemóvel a dizer para vir aqui ter.

- Mas eu não mandei nada.

- Queres ver a mensagem?

- Não, eu acredito em ti. – Se ele tinha recebido uma mensagem do meu telemóvel e se não fui eu a mandar. Só podia ter sido uma pessoa. – A que horas recebes-te?

- Por volta das 2h da manha. Mas tu na mensagem dizias para eu não responder, por isso não respondi. – A essa hora eu já estava a dormir. Eu mato o Rúben.

- Importas-te de esperar lá fora? Eu já vou ter contigo para falar-mos sim?

Ele não respondeu, apenas de virou e saiu. Eles iam-me ouvir os dois, sim, porque o Rúben de certeza que não fez isto sozinho.

Quando em viro eles estavam os dois com os olhos postos em mim. Eles não tinham ouvido a minha conversa, estávamos a uma distância considerável.

Depressa encurtei essa distância e quando cheguei á beira da mesa, pôs as minhas mãos em cima da mesa e disse:

- Falem.

- Falamos o quê Bia?

- Tu sabes muito bem do quê Rúben.

- Não, não sei.

- Olha, és o meu melhor amigo, nunca pensei que me fizesses uma coisa destas. Eu estou mesmo magoada Rúben. E não adianta negares. Sabes bem que descubro tudo e não sou burra.

- Bia, seu sei que errei. Mas tu estás a enganar-te a ti própria. Oh pá és a minha melhor amiga, custa-me ver-te assim.

- Rúben mete na tua cabeça que eu estou bem.

- Não, não estás. Finges que estás, mas não te esqueças que eu sou das pessoas que te conhece melhor. – Engoli em seco. Ele tinha razão. Ele conhecia-me melhor que ninguém.

- Alguém me pode explicar que tá passando aqui? Não tou entendendo nada.

- Oh David, não te faças de sínico que eu sei que estás feito com ele.

- Eu? Mas como posso tar feito com ele se eu nem sei do tão falando.

- Bia, o David não sabia de nada. Fui eu que fiz tudo.

- Podem-me explicar? Eu não sei do que? E você fez o quê?

- Oh David, podes estar calado? Não vês que estou a ter uma conversa séria com o Rúben? – Depois virei-me para o Rúben e continuei. – Olhem não me interessa saber de mais nada. Eu vou falar com o Ro. Não esperes por mim para jantar nem acordado. Vou chegar tarde.

Nem lhe dei tempo de responder, virei costas e sai da sala. Atravessei todo o restaurante. Á saída encontrei a D. Conceição.

- Já vai embora?

- Sim, aconteceu-me um imprevisto. Peço desculpa.

- Não tem mal. Quinta-feira começam as suas aulas. São as 17h. Não se atrase.

- Muito obrigada. Até quinta entao.

- Até quinta.

Ele continuou para dentro e eu sai. Olhei em volta e vi o Ro sentado num banco cabisbaixo. Tive medo, mas sabia que era o melhor que tinha a fazer. Dirigi-me para ele, aquele conversa iria custar, pois teria de lhe contar o que não contei há um mês atrás quando ele me perguntou o que se passava comigo e com o David. Parecia o destino. Qualquer que fosse o caminho que fizesse, qualquer que fosse a palavra que proferisse ou o pensamento que tomava conta de mim, tudo ia dar ao David. Sim, acredito no destino, mas também acredito que as pessoas o podem alterar. Se o meu destino passar pelo David, então eu vou altera-lo á minha maneira.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

15º Capitulo - "Têm muito bom gosto David, a sua namorada é muito bonita."

Levantei-me num impulso e agarrei-lhe o braço.

- Desculpa, eu fui uma parva. Tu e o Rúben só me queriam ajudar. Desculpa-me David. –
Ele virou-se

- Tudo bem.

E dirigiu-se de novo para a mesa. Eu fiz o mesmo.

Era incrível como aquele homem era sempre tão compreensível comigo depois de tudo o que eu lhe dizia e o que eu lhe fazia.

Mal acabamo-nos de sentar a porta abre-se. Entra uma senhora que eu nunca tinha visto. Quando fiz a entrevista para entrar para o conservatório não foi com ela que a fiz.

- Boa tarde. – Cumprimentou ela. Todos nos pusemos de pé e a cumprimentamos também.

- D. Conceição, esta é a Beatriz, mais conhecida por Bia.

- Muito prazer.

- O prazer é todo meu.

Ela sentou-se ao lado do Rúben em frente ao David.

- Têm muito bom gosto David, a sua namorada é muito bonita.

- Obrigada – Respondeu ele mas de maneira fria.

- Passa-se alguma coisa?

- Não. – Disse eu muito apressadamente.

- Muito bem. Falem-me um bocadinho sobre como se conheceram e essas coisas.

Aquela mulher não queria mais nada? Eu ia para o conservatório e não para uma
entrevista para uma revista cor-de-rosa.

Eu e o David lá contamos, ou melhor inventamos algumas partes, algumas eram verdade.

A parte até ele me pedir em namoro contamos a verdade, só, a partir da minha
resposta é que inventamos.

Quando acabamos de almoçar e antes da sobremesa, ela disse que ia ao WC, ficando só nós os três na sala. Mas saiu o Rúben falou logo.

- Mas vocês querem estragar tudo?

- Não tou entendendo meu irmão.

- Vocês não parecem namorados.

- Secalhar porque não somos mesmo. – Disse eu.

- Pois, cê é que escolheu assim.

- Eih ó David nem venhas com essa agora.

- Custa ouvir as verdades né? Pois fique sabendo que custa mais não ouvir nada.

- Tu vais-me a continuar a atirar essa merda á cara durante quanto tempo mais?

- Durante o tempo que eu quiser. Cê não tem nada a ver com isso.

- Aí isso é que tenho meu filho. – Aquilo tinha passado a ser uma discussão só minha
e do David. O Rúben mantinha-se apenas a olhar para nós.

- Olhem, parem, que eu acho que vem aí alguém. Deve ser a D. Conceição. Ela deve ter ouvido, dêem aí um beijo para ela pensar que foi apenas uma discussão e que já está tudo bem.

- Oh Rúben…

- Sem Rúben nem meio Rúben. O bem é para ti, e além disso se vocês já não gostam um do outro não há mal nenhum. E David, com respeito sim?

Ouvimos a porta a começar-se a abrir e o David chegou á minha beira e beijou-me.

Começou por ser um beijo calmo e suave. Mas depressa passou a ser intenso e cheio de saudade. Já não beijava o David desde que fui para o Porto, ou seja, desde Junho. Eu não queria termina-lo, por muito que me custasse admitir, eu gostava daqueles lábios, daquele beija, enfim, eu gostava de David. Mas não podia. Havia muitas coisas contra, mas a principal era o medo de ser magoada outra vez e a minha família. Eu não ia contra o que eles pensavam. Eles acham que os jogadores querem muitas mulheres e não querem nada com raparigas da minha idade.

Nenhum de nós tinha coragem de terminar aquele beijo, mas o Rúben começa a tossir cada vez mais alto. Então selamos aquele beijo com pequenos beijinhos, pois aquele poderia ser o nosso último beijo.

Quando afasto a minha cara da do David, não queria acreditar. O Ro estava na porta, com uma cara de surpreendido e com um ramo de rosas na mão a olhar para mim. E agora, como lhe iria explicar a situação? Por mais que lhe dissesse a verdade ele nãos e iria acreditar, pois a D. Conceição não estava na sala naquele momento, mas mais importante, o que estava ele a fazer ali?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

14º Capitulo - "Já viste o que era todos pensarem que eu e ele namoramos?"

Chegamos a um restaurante que eu não conhecia mas parecia ser muito bonito.

Durante todo o caminho não foi dita uma única palavra por parte de ninguém.
Saímos todos do carro. Eles iam á frente e eu seguia atrás. O Rúben chegou á porta e disse:

- Bia, segue-me a mim e ao David e por-favor não faças perguntas.

- Eu pensei que isto ia ser SÓ um almoço.

- E é, mas é um almoço com outra pessoa.

- Quem?

- Bia, eu acabei de te pedir para não fazeres perguntas.

- Fogo Rúben diz lá.

- Não Beatriz. – Quando ele me disse aquilo olhei para o David com olhinhos de criança.

- Não olhe assim pra mim, ele me matava se eu dissesse alguma coisa pra você.

- Olhem tasse bem. – Estava realmente irritada, era assim tão grave para eles não me disserem nada?

Eles entraram e eu segui atrás deles. Chegaram ao pé do balcão e o empregado reconheceu-os e encaminhou-nos para uma porta, eu segui-os e deparei-me com uma mesa para quatro pessoas no centro da sala. O empregado saiu e nós entramos. Não estava lá mais ninguém.

- Olha podes-me explicar o porquê de estar aqui um lugar a mais?

- Irra, que tu és mesmo chata. – Disse o Rúben.

- Chata mas tu gostas.

- Não sou o único. – Disse o Rúben forçando uma tosse em seguida.

- O que disseste?

- Aquele babaca não disse nada. Só diz besteira. – disse o David meio atrapalhado.

- Tudo bem, mas não fujam á pergunta que vos fiz.

- Pois, quanto a isso é melhor estares sentada.

- Rúben Filipe diz-me já o que se está a passar.

- Eu conto, mas vamos indo nos sentar na mesa sim? – Eu nem lhe respondi. Virei
costas e encaminhei-me para a mesa. O David sentou-se ao meu lado e o Rúben á minha frente.

-Fala. – Disse eu de maneira fria. Sinceramente, não estava a achar piada nenhuma a isto tudo. Não compreendia o porquê de tanto mistério e o porquê de estar sentada.

- Pronto, aqui vai. Lembras-te daquele conservatório de dança que tu querias muito aqui em Lisboa e que não conseguiste entrar?

- Claro que me lembro.

- Pronto, eu, quer dizer, nós conseguimos que tu entrasses. – Paralisei. Eu tinha lutado tanto para entrar naquele conservatório mas não tinha conseguido. Era uma oportunidade única, pois podia andar lá e na escola ao mesmo tempo, se bem que seria dispensada as aulas menos importantes, basicamente tinha de ir a Biologia, Físico-química, Matemática, Português e Educação Física. Era um sonho desde pequenina, formar-me em dança mas ao mesmo tempo entrar em Medicina. Mas não podia aceitar, de certeza que tinha havido cunhas da parte de eles os dois e eu não gostava disso. Se bem, que a maioria dos alunos de lá tinham entrado da mesma maneira.

- Como?

- Bem… - O Rúben estava a enrolar, eu conhecia-o, isso queria dizer que eu não ia gostar do que ia ouvir.

- Prometes que não te zangas?

- Fala.

- Eu falo mas não te esqueças de que apesar do que conseguimos está nas tuas mãos aceitar ou não.

- Rúben, já percebi. Deixa-te de coisas e vai directo ao assunto.

- Hoje de manha quando te disse que íamos mais cedo porque o mister queria falar connosco menti-te. Desculpa. Nós fomos lá ao conservatório falar com a directora. Eu disse-lhe que eras a minha melhor amiga e isso. Mas ela disse que isso não trazia benéfico nenhum, porque afinal eras “só a minha melhor amiga”, foi então que pusemos a possibilidade de tu namorares com um jogador, ela aí disse que a conversa era outra, então nós dissemos que tu namoravas com o David. Ela disse que assim já se arranjava um vaga para ti e ela vem agora almoçar connosco para te conhecer. –

Fiquei KO, como era possível? Não estava a acreditar, tudo bem que era uma óptima oportunidade mas daí a toda a gente pensar que eu namoro com o David? Não podia ser.

- Isso quer dizer que se eu aceitar toda a gente vai pensar que eu e o David andamos certo?

- Sim, isso mesmo.

- Vou ter de dizer que não. Já viste o que era todos pensarem que eu e ele namoramos? – Disse, esquecendo-me que o David estava ao meu lado.

- Cê é pobre e mal agradecida. O mal não é só pra você, também é para mim. Mas eu concordei em ajudar você, mas pelos vistos foi uma perda de tempo. Você não merece nada. Perdi o apetite meu irmão. Tou no ir. – Dito isto levantou-se. As lágrimas corriam-me pela cara abaixo. Será que fui assim tão parva?

domingo, 30 de janeiro de 2011

13º Capitulo - "Claro que quero, mas não tenho coragem."

Rapidamente ele desapareceu pela mesma porta que antes o Rúben e o Ro tinham entrado. Fiquei um bocado a interiorizar tudo e depois lá segui eu também em direcção às bancadas.

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Os dias foram passando. Eu continuava a sair com o Ro e cada vez me sentia melhor com ele. Não, ainda não tinha esquecido o David, aliás, pensava que isso nunca ia ser possível, mas também não tínhamos voltado a falar desde aquele treino. Sempre que ele ia a casa do Rúben, eu ou ia para o quarto ou ia sair. Era melhor assim.

Especulava-se muito a sua saída do Benfica e por muito que me custa-se admitir isso afectava-me bastante mas lá indirectamente eu conseguia saber através do Rúben e do Ro que ele ia ficar, pelo menos esta época.

Hoje era dia 14 de Setembro, o meu primeiro dia de aulas aqui em Lisboa. Acordei ás 7h30min com o despertador. Tentei fazer o mínimo barulho possível para não acordar o Rúben. Ter casa de banho no quarto facilitava as coisas. Tomei um banho e vesti-me.

Vesti uma roupa simples.




Depois de pronta, dirigi-me para a cozinha. Estou a preparar o pequeno-almoço quando alguém me agarra pela cintura e me dá um beijo da cara.

- Bom dia. – Disse o Rúben.

- Queres matar-me de susto? Bom dia. Que fazes acordado tão cedo?

- Que achas? Vou levar a minha melhor amiga á escola no seu primeiro dia de aulas.

- Aí não vais não.

- Aí vou sim.

- Rúben…

- Rúben nada, andei a acordar cedo para te ir levar e agora dizer que não me deixas.
Fogo.

- Pronto tudo bem. Mas diz-me lá o que vais ficar a fazer até á hora do treino?

- Olha então é assim. Vamos buscar o David, deixo-te na escola e sigo para a caixa.
O Mister quer reunir connosco antes do treino.

- Concordo com tudo, mas como tu és tão simpático vais me levar primeiro e só depois vais buscar o David sim?

- Adianta-me alguma coisa dizer que não?

- Não.

Tomamos o pequeno-almoço com calma e sempre a rir.

O Rúben lá me deixou primeiro na escola.

A escola era grande. Pelo que percebi todos na minha turma se conheciam do 10º ano, ou seja eu era a “intrusa”.

Na primeira aula a professora lá me apresentou, não falou muito de mim nem disse quem era o responsável por mim aqui em Lisboa, e ainda bem.

Dei-me bem a maior parte, se bem que haviam lá duas que pareciam que iam para uma passagem de modelos e eram umas “narizes empinados”, como dizia a minha mãe.

A minha colega de mesa chama-se Alexandra. Foi a pessoa da turma com quem me dei melhor. Ela era muito simpática, estava-se sempre a rir e dava-se bem com toda a gente menos com aquelas duas do nariz empinado. Mas tinha um grande defeito. Era fã do Rúben e do David.

Tocou para a saída. Era 1h30min e como não tinha aulas de tarde tinha dito ao Rúben que ia almoçar a casa. Estava a dirigir-me ao portão com a Xana, era assim que todos lhe chamavam, quando vejo uma grande confusão e todos a falarem uns com os outros.

- Mas o que é que se passa? É sempre assim? – Perguntei eu, rindo-me de seguida.

- Não, não costuma a ser assim.

- Xana, acho que hoje é o teu dia de sorte. – Disse o João, um rapaz da nossa turma.

- Porque?

- Porque eu vim agora do portão e adivinha quem está lá?

- Achas que tenho cara de vidente? Diz lá.

- O David Luiz e o Rúben Amorim. – Congelei. Não podia ser verdade. Eu toda contente por a stora não ter dito quem era o meu responsável em Lisboa e aqueles dois vêem me buscar a escola. É que só mesmo deles. O Rúben ia-me ouvir mas não ali, em casa.

- A sério?

- Achas que ia brincar com uma coisa destas? Eu sei que tu és a maior fã deles. Bem
meninas, eu vou á sala. Esqueci-me do casaco. Até manha.

- Até manha. - Respondemos as duas.

- Vamos? – Perguntou-me a Xana.

- Sim.

Chegamos ao portão e estavam aqueles dois encostados ao carro do Rúben virados para a escola. Realmente, mais discrição era impossível.

Eles ainda não me tinham visto, estava muita gente há minha frente. Comecei a andar na direcção do carro do Rúben. Até que a Xana me agarra no braço.

- Onde é que tu vais?

- Ter com eles.

- Porque?

- Tu queres conhece-los ou não?

- Claro que quero, mas não tenho coragem.

- Tenho eu. Segue-me.

Ela assim o fez. Quando ia a chegar perto do carro, o Rúben viu-me e deu um toque no David que ficou a olhar para mim com cara de parvo. Chegamos ao pé deles, a Xana não reagia, acho que estava paralisada.

- Olá Rúben. Olá David. – Disse eu. A Xana olhou-me como quem pergunta-se “ mas afinal o que se passa aqui?”.

- Oi.

- Olá Bia.

- Bem, esta é a Alexandra, ou melhor, Xana. Xana, estes são o David e o Rúben.

- Oi. – Responderam os dois.

- Olá. – Disse ela a medo.

- Então, o que estão aqui a fazer? – O Rúben põe o braço dele á volta da minha cintura e diz:

- Viemos te buscar para almoçares connosco.

- E se eu não quiser?

- É claro que queres.

- Não sabia que namoravas com o Rúben Amorim. – Disse a Xana. Eu e o Rúben desmanchamo-nos a rir.

- Eu não namoro com ele, este parvo aqui é o meu melhor amigo.

- Ah. Bem eu vou indo. Vemo-nos amanha Bia. Gostei de vos conhecer.

- Igualmente.

E ela afastou-se.

Entramo-nos no carro do Rúben e seguimos viagem. Como ia correr este almoço? Sim, porque eu não estava com o David há muito tempo. Eu ainda não sabia, mas ia ter uma grande surpresa neste almoço, porém não se pode dizer que era boa.

sábado, 29 de janeiro de 2011

12º Capitulo - " Ele estava-me a testar. E eu caí, que nem uma patinha."

A minha outra fic: http://fanficsomething.blogspot.com/

Nii'i

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- Pronto, tudo bem, eu falo. Mas a verdade é que eu não sei o que se passa entre nós, ou melhor, o que se passou entre nós.

- Que se passou? Como assim?

- Ro, eu já gostei muito do David, muito mesmo e por sinal ele gostou de mim e tipo,
dávamo-nos muito bem e isso ate que um dia ele me pediu em namoro e eu disse que não porque não sabia se vinha de vez para Lisboa. – Ok, isto não totalmente verdade mas não queria lembrar-me da história do Miguel. – Entao, eu voltei para o Porto e nós nunca mais falamos. Só nos voltamos a ver esta semana, quando eu voltei.

- Mas tu ainda tens um carinho especial por ele? – Neste caso não tinha de lhe mentir. Eu não tinha um carinho especial pelo David, eu gostava do David.

- Não.

- Mesmo?

- Sim Ro, mesmo.

- Ainda bem. E agora vamos almoçar?

- Vamos lá.

O Almoço correu normal, sempre brincadeira. Eu sinta-me bem com o Ro, ele era de facto um grande amigo.

Depois de almoçar fomos dar um passeio pela praia e como já era tarde, posemo-nos a caminho do Campus.

O Rúben e o David estavam a sair do carro quando nós chegamos. O Ro estacionou e saímos nos carro.

- Olá pequenina. – Disse o Rúben.

- Olá Tótó.

- Olha queres ver que a pulga já tem catarro.

- Não sejas assim parvinho.

- Não sou assim? Ainda nem deste um beijo ao teu melhor amigo. – Dirigi-me a ele e dei-lhe um GRANDE beijo na cara.

- Eih, assim também não, gosto muito da minha cara sim? – Todos nos rimos. – E olha, não está aqui mais ninguém? – concluiu o Rúben.

- Ah?

- Sim, que eu saiba o David também é gente e tu ainda não o cumprimentas-te. –

Quando chegar a casa vou matar o Rúben.

- Ah, tens razão. – Dirigi-me ao David e dei-lhe dois beijinhos.

- Olá.

- Oi.

- Tudo bem?

- Sim e com você?

- Também.

- Ainda bem entao. Manz, eu vou indo para dentro. – Ok, definitivamente o David estava a fazer o que tínhamos combinado, ou seja, estava a ser “frio” comigo.

- Espera mano, eu queria falar com o Roderick em particular. Por isso nós vamos indo a frente e depois tu vens depois, pode ser? – Ok, era desta que eu matava o Rúben.

- Tá bem.

O Roderick chegou a minha beira, elevou-me um bocadinho do chão, pondo-me á sua altura e deu-me um grande abraço seguindo de um GRANDE beijo na cara. Pousou-me no chão, olhou-me nos olhos e disse:

- No fim do treino espera por mim. Adoro-te.

Virou as costas e saiu da garagem com o Rúben. Ele estava de facto a picar com o David. Eu sabia que não lhe devia ter contado nada.

Agora, eu e o David encontrávamo-nos sozinhos na garagem. Durante algum tempo o “silêncio” era a única palavra proferida. Nem eu nem ele sabíamos o que dizer. Por fim, ele quebra essa monotonia.

- Então, correu bem o seu almocinho? – Disse de forma muito irónica.

- Correu, mas também não é da tua conta.

- Claro que não é. Agora é da conta do seu novo amiguinho.

- Tu não tens nada a ver com isso.

- Pois claro que não tenho. – Cada vez íamos ficando mais juntos.

- Nunca tives-te.

- Você deixou isso bem claro esta manha em sua casa.

- A casa não é minha, é do Rúben. – A distância entre nós era mínima.

- É tudo a mesma coisa. – As nossas bocas estavam próximas, a respiração dele ofegante. Eu já sentia o seu hálito. Fechei os olhos. Rendi-me, não lhe consegui resistir por muito que tenta-se.

- A gente se vê por aí. – Disse ele, afastando-se a rir.

Não, ele não tinha feito isto. Ele estava-me a testar. E eu caí, que nem uma patinha.